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Viralizou: João Fonseca vai para a bicicleta depois de horas de jogo. Por quê?

Prática conhecida como recuperação ativa divide opiniões entre os especialistas.


Depois de 5 horas de partida contra o sérvio Novak Djokovic na sexta-feira, 29, o tenista brasileiro João Fonseca saiu da quadra e foi direto para a bicicleta ergométrica.


O vídeo viralizou nas redes sociais, e muitos internautas questionando se o atleta, na verdade, não deveria descansar. Mas a prática é bem comum, principalmente entre os praticantes de tênis e em outros esportes de alto rendimento.


Após o duelo com Djokovic, João Fonseca deixou a quadra e foi direto para a bicicleta ergométrica Foto: Thibault Camus
Após o duelo com Djokovic, João Fonseca deixou a quadra e foi direto para a bicicleta ergométrica Foto: Thibault Camus













“É um ritual extremamente importante para o atleta. É neste momento que ele vai falar sobre o jogo e conversar com o treinador. É uma maneira de ele ir se acalmando”, explica Alexander Matoso, profissional de educação física e treinador de tênis.


Além disso, a estratégia é chamada de recuperação ativa. A ideia é fazer exercícios de baixa intensidade por até 20 minutos, como usar a bicicleta ergométrica ou caminhar na esteira – a pessoa precisa conseguir conversar enquanto realiza a atividade.


“Isso ajuda a manter a circulação sanguínea ativa e facilita a remoção de metabólitos produzidos durante o esforço físico intenso. Além disso, contribui para uma redução mais gradual da frequência cardíaca, melhora a oxigenação muscular e diminui a sensação de fadiga após a competição”, explica Páblius Braga, médico do esporte do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas.


Um outro artigo citado por Braga é um estudo publicado em 2022 no European Journal of Sport Science. O trabalho avaliou diferentes estratégias de recuperação durante um torneio simulado de tênis disputado em vários dias consecutivos.


“No entanto, embora haja evidências de melhora em alguns indicadores de recuperação, os resultados ainda não são suficientemente robustos para afirmar que a recuperação ativa, isoladamente, resulte em melhora consistente do desempenho em partidas ou competições subsequentes.”


Já Marcel Pereira Moussa, médico cardiologista pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (SP) e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, explica que alguns atletas de alto nível gostam de praticar a recuperação ativa, mesmo carecendo de estudos robustos.


“Não tem grandes evidências científicas, mas muitos treinadores de atletas de alto rendimento e os próprios atletas optam por fazer. Eles dizem que se sentem melhores após a recuperação ativa”, explica o médico.


Por isso, a prática costuma ser utilizada em conjunto com outras estratégias, como alongamento, imersão em água fria e massagens, além de uma boa noite de sono e uma alimentação adequada.


 
 
 

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