Por que você pode sair exausto de um treino na piscina mesmo com menor impacto
Menor impacto nas articulações não impede que exercícios na água exijam força, resistência e bastante esforço.

Natação e hidroginástica costumam ser associadas a exercícios de baixo impacto. Mas reduzir o impacto sobre as articulações não significa reduzir a intensidade do treino.
Na água, a resistência aumenta conforme a velocidade dos movimentos, e equipamentos e diferentes formatos de aula podem tornar o exercício bastante desafiador.
O que significa ser uma atividade de baixo impacto?

Exercícios físicos na água são consideradas atividades de baixo impacto porque a água funciona como um amortecedor para os movimentos. A resistência contra a gravidade reduz a carga sobre o corpo e diminui a pressão sobre a coluna e as articulações dos membros inferiores.
Isso, porém, não significa que o corpo deixe de ser exigido. Ombros, quadril, coluna lombar e membros superiores continuam participando ativamente dos movimentos.
Segundo Páblius Braga, médico do esporte do Hospital Nove de Julho, o baixo impacto está relacionado principalmente à ausência do chamado “efeito solo”, já que a água ajuda a amortecer os movimentos.
Baixo impacto é diferente de baixa intensidade

Impacto e intensidade são conceitos diferentes.
Impacto está relacionado às forças mecânicas que atuam sobre o corpo.
Intensidade diz respeito ao esforço físico e fisiológico necessário para realizar o exercício.
“Intensidade e treinamento sempre serão o grande influenciador na performance com saúde ou na possibilidade de lesões”, afirma Braga.
Na água, a intensidade pode aumentar de várias maneiras:
Velocidade;
Amplitude dos movimentos;
Posição do corpo;
Uso de equipamentos capazes de aumentar a resistência.
Como a natação trabalha o corpo

Na natação, o próprio deslocamento na água já exige esforço para vencer a resistência do líquido e produzir propulsão.
A modalidade também exige bastante de diferentes grupos musculares, especialmente dos membros superiores, além de ombros, quadril e região lombar.
Isso não significa que qualquer treino de natação terá a mesma intensidade. A carga de treino pode ser aumentada conforme o praticante evolui em velocidade, volume e desempenho.
Por outro lado, algumas pessoas precisam de atenção especial. Limitações nos ombros ou na coluna podem restringir determinados movimentos, enquanto dor no peito aos esforços, doenças cardiovasculares não controladas e algumas condições agudas exigem avaliação antes da prática.
E a hidroginástica?

A hidroginástica também vai muito além da imagem de uma atividade exclusivamente voltada para idosos ou para reabilitação.
Segundo Marcio Fraga, master trainer da Bodytech Company, a modalidade combina exercícios cardiovasculares, força, resistência muscular, mobilidade, equilíbrio e coordenação.
“Uma aula pode ser leve e terapêutica, mas também pode ser intensa e bastante desafiadora”, explica.
Isso acontece porque a água oferece resistência em diferentes direções. A intensidade pode ser modificada pela velocidade e amplitude dos movimentos, pela posição do corpo e pelo uso de equipamentos como halteres aquáticos, luvas e tornozeleiras.
Por que a hidroginástica ganhou fama de exercício para idosos?

A modalidade realmente pode ser uma boa opção para idosos, gestantes e pessoas em recuperação justamente por ser facilmente adaptável e reduzir o impacto sobre as articulações. Mas isso não significa que esses sejam seus únicos públicos.
Pessoas de diferentes idades e níveis de condicionamento podem usar a hidroginástica para trabalhar resistência cardiovascular, força, equilíbrio e coordenação.
O próprio formato das aulas pode mudar bastante a experiência. É possível fazer uma sessão mais leve ou aumentar a exigência com movimentos mais rápidos, equipamentos e circuitos.
Hidro Turbo: quando a hidroginástica vira circuito

A própria Bodytech explorar essa possibilidade com a Hidro Turbo. A aula é organizada em formato de circuito e utiliza equipamentos como um tubo por onde a água consegue passar por denro, aquabell, caixa para saltos e cama elástica.
A ideia é alternar estímulos e trabalhar diferentes capacidades físicas, como resistência cardiovascular, força muscular e coordenação motora.
De acordo com Fraga, os equipamentos exigem maior grau de força, coordenação e equilíbrio.
Foi justamente essa a percepção que tive durante a experiência com a Hidro Turbo. À convite da Bodytech Eldorado, o Tá Saudável foi conhecer a modalidade.
A aula exigiu bastante dos braços, do equilíbrio e da consciência corporal.
Mesmo praticando natação desde os 5 anos, a necessidade de prestar atenção aos movimentos e manter o equilíbrio tornou o treino mais desafiador do que parecia inicialmente.
O resultado foi uma aula de baixo impacto, mas que exigiu esforço de verdade.
Por que combinar exercícios na água com treino de força?

Apesar dos benefícios das modalidades aquáticas, o treinamento de força pode complementar a prática.
Braga recomenda o fortalecimento de costas e membros superiores para ajudar a reduzir a possibilidade de lesões nos ombros, além de exercícios para quadril, coxas, abdômen e região lombar.
A ideia não é escolher entre água ou musculação, mas entender que estímulos diferentes podem cumprir funções diferentes dentro de uma rotina de exercícios.
Referências: entrevistas com o médico do Exercício e do Esporte Páblius Staduto Braga (CRMSP: 62635/ RQE: 65577) e do profissional de educação física Marcio Fraga Pereira (CREF 001108-G/RJ), além de aula teste na Bodytech Eldorado.

Fonte: Portal Tá Saudável


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