top of page

Aumento da prática esportiva impulsiona a categoria

há 6 minutos
5 min de leitura

O crescimento da prática de atividades físicas e esportes recreativos tem sido acompanhado pelo aumento da incidência de lesões musculares. Distensões, inflamações e contusões figuram entre as principais causas de procura por produtos de alívio da dor e recuperação muscular nas farmácias.


Frequente nos “atletas de fim de semana”, que são pessoas que mantêm uma rotina predominantemente sedentária e concentram a prática de esportes e exercícios físicos apenas nos dias de folga, essas lesões são acarretadas pela falta de preparo adequado, o que pode transformar uma atividade benéfica em um fator de risco para a saúde.


“O organismo precisa de adaptação gradual. Por exemplo, quando alguém passa longos períodos sem se exercitar e tenta compensar isso com atividades intensas, o risco de lesões e complicações aumenta consideravelmente. A prática regular e progressiva é muito mais segura e eficiente do que esforços concentrados em um curto período”, alerta o ortopedista e traumatologista, Dr. Diogo Leal.


A atenção deve ser ainda maior após os 50 anos de idade. Com o avanço da idade, ocorrem mudanças naturais no organismo, como a redução da flexibilidade, da massa muscular e da capacidade de recuperação dos tecidos, além do desgaste progressivo das articulações. Esses fatores tornam o corpo mais suscetível a lesões quando a prática esportiva é iniciada ou retomada sem preparo adequado.


LESÕES MAIS FREQUENTES


Entre os problemas observados com maior frequência estão distensões musculares, dores lombares, tendinites, lesões nos ombros e joelhos e fascite plantar.


“Exercícios que envolvem saltos, impactos repetitivos, arrancadas ou mudanças bruscas de direção costumam representar maior risco para pessoas sem condicionamento adequado. Uma partida de futebol, por exemplo, pode parecer uma atividade recreativa, mas exige força muscular, aceleração, desaceleração, coordenação e resistência cardiovascular. Quando não existe preparo prévio, a chance de lesão aumenta significativamente”, destaca o Dr. Leal.


O ortopedista e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Dr. Eduardo Malavolta, explica que esses problemas geralmente começam como uma dor difusa, que piora ao levantar o braço para alcançar objetos, jogar ou levantar acima da cabeça, movimentos muito presentes em esportes de areia e natação.


“Essa combinação de movimentos repetidos, muitas vezes rápidos e sem preparo físico adequado, pode levar à sobrecarga dos músculos e tendões, desencadeando dor e inflamação”, pontua o Dr. Malavolta.


DORES D DIFUSAS X DORES INTENSAS


Sentir algum desconforto muscular após a prática de exercícios é esperado, especialmente para quem está retomando uma rotina ativa, mas alguns sintomas exigem atenção.


Segundo o Dr. Malavolta, dores musculares difusas que melhoram em poucos dias costumam fazer parte do processo de adaptação do organismo. Já dores intensas, localizadas ou persistentes, principalmente quando acompanhadas por inchaço, limitação de movimentos ou dificuldade para apoiar o peso do corpo, devem ser avaliadas por um profissional.


“A dor muscular tardia normal surge de 12 a 48 horas após o exercício. É difusa, sensação de ‘corpo pesado’, mas melhora com descanso. Já os sinais de lesão são dor aguda durante o movimento ou que limita o movimento, inchaço, calor ou crepitação (sensação de ‘estalido’); e dor que não melhora com repouso ou que piora à noite. Se a dor limita as atividades cotidianas, persiste por mais de uma semana ou aparece mesmo em repouso, isso deve ser levado a sério”, completa o Dr. Malavolta.


Outros sinais são limitação do movimento, fraqueza ao levantar o braço ou perda de força; apresentação de inchaço, dormência, formigamento ou instabilidade no ombro; e se a dor começou após um trauma (queda, pancada ou puxão). Se esse for o caso, a indicação é consultar um especialista.


“Esses são sinais de que as coisas não estão indo bem e um médico precisa avaliar o que está realmente acontecendo”, destaca o coordenador do setor de ortopedia do Hospital Alvorada Moema, Gustavo Sanchez.


Assim, um ortopedista pode avaliar se há lesão tendínea, instabilidade, bursite ou outra condição que necessite de fisioterapia, exames complementares ou tratamentos específicos.


Algumas estações do ano, como o verão, convidam à atividade física e isso é ótimo para o corpo e a mente. Mas o ombro, por exemplo, merece atenção: por sua alta mobilidade, é mais suscetível à sobrecarga. Com aquecimento, fortalecimento adequado e respeito ao descanso, é possível realizar as práticas esportivas sem dores.


SINAIS DE ALERTA


Diante de qualquer sinal de alerta, buscar orientação médica precocemente faz toda a diferença, explica o Dr. Malavolta, frisando que o princípio básico é ouvir o corpo: dor que altera o padrão normal de movimento ou aumenta progressivamente é um sinal de alerta. Além disso, é importante respeitar o corpo na hora de retornar à prática de atividades físicas após uma lesão, pois interromper o período de recuperação antes do tempo pode favorecer novos danos e comprometer a saúde da articulação a longo prazo.


“O corpo precisa de tempo para que músculos, ligamentos, cartilagem e outras estruturas recuperem sua capacidade de suportar carga. Muitas vezes, o paciente deixa de sentir dor, mas o tecido ainda está em processo de cicatrização. Antecipar o retorno aumenta significativamente o risco de uma nova lesão”, explica o ortopedista e cirurgião do joelho, Dr. Ari Zekcer.


TEMPO DE RECUPERAÇÃO


O restabelecimento total do organismo varia conforme o tipo e a gravidade da lesão. Um trauma leve pode exigir apenas alguns dias de repouso e reabilitação. Já lesões meniscais, entorses ligamentares ou procedimentos cirúrgicos podem demandar semanas ou até meses antes da liberação para o retorno ao esporte.

Para auxiliar o processo, o repouso deve ser relativo à medida que a dor diminui, ou seja, não ficar imóvel em absoluto.


“A fisioterapia é essencial para diminuir dor, melhorar a mobilidade e fazer a transição para o retorno esportivo. Já o uso de analgésicos deve ser feito somente nos primeiros três dias em média, para não atrapalhar a cicatrização e recuperação. Deve-se evitar o uso de anti-inflamatórios, mas utilizar bolsas de gelo logo no início do tratamento, e depois compressas quentes para diminuir a contratura muscular. As bandagens também ajudam a limitar parcialmente o movimento para não estimular a dor”, pontua o médico do esporte do Hospital Nove de Julho, da Rede Américas, Dr. Pablius Braga.

Entretanto, um dos erros mais comuns, segundo o Dr. Zekcer, é utilizar apenas a ausência de dor como parâmetro. Isso porque a dor é apenas um dos indicadores. Persistência de inchaço, sensação de instabilidade, perda de força, dificuldade para mudar rapidamente de direção ou insegurança durante movimentos são sinais de que o corpo ainda pode não estar preparado.


PREVENINDO LESÕES MUSCULARES


Aquecimento, fortalecimento e descanso são fundamentais para prevenção. “O aquecimento prepara músculos e tendões para o esforço, aumentando a circulação e reduzindo o risco de microlesões. Cinco a dez minutos de movimentos leves e mobilizações articulares já fazem diferença. O fortalecimento é outro ponto relevante, além do descanso. O corpo precisa de tempo para se recuperar. Por isso, alternar intensidade, escalonar treinos e respeitar sinais de fadiga ajudam a prevenir piora de dores”, complementa o Dr. Malavolta.


Fonte: Guia da Farmacia

 
 
 

Comentários


bottom of page